Pequizeiro e o rio Bananal/TO

Perfil econômico
Dois aspectos comuns do crescimento econômico, destacadamente nas fronteiras agrícolas do Brasil, têm sido a degradação ambiental e a expropriação das condições de vida dos sertanejos. O Estado do Tocantins está inserido em uma das mais promissoras regiões para a produção de gado e grãos. Nele têm-se observado, com pesar, a derrubada, mesmo que proibida por lei, de importantes árvores do bioma do cerrado, dentre elas o Cariocar brasiliensis, comumente chamado de pequi.
É assim que a chegada do advento agrícola é observado na região central do Brasil: a soja ocupa os pastos, o gado empurra a floresta e ao homem do campo, sertanejo simples, é ditada a dura sentença de migrar com suas famílias para as cidades ou para a floresta amazônica. Em geral, esta migração é frustrada e então lê-se nos jornais sobre o aumento do trabalho escravo, do trabalho infantil (inclusive em carvoarias), da miséria nas cidades e da prostituição infantil ao longo da lendária BR 153, a rodovia Belém-Brasília.

Cidade com nome de árvore e comunidade tradicional
Ao noroeste do Estado do Tocantins, uma árvore imensa deu nome a um garimpo de cristais que, futuramente, iria constituir um dos municípios do mais novo Estado do Brasil. A árvore era um Cariocar brasiliensis, que servia para sombrear uma remota parada de ônibus no acesso à densa floresta amazônica e à rica região de extração de minério, do sul do Estado do Pará.
A vila de Pequizeiro formou-se lentamente sendo que suas famílias mais tradicionais vieram para a região para trabalharem na extração do cristal (que existiu e ainda existe em abundância na região). A tradição do norte goiano, pautada sobre o costume de aproveitar os frutos do cerrado (buriti, pequi, cajuí, bacaba, gueroba) e de buscar mel no mato utilizando-se da queima do enxame faz parte da cultura local.
Ao longo do tempo, muita coisa mudou, inclusive com a severa redução do número de pequizeiros, redução das matas e da possibilidade de continuar se alimentando e gerando renda a partir do extrativismo e da coleta do mel nos campos.
O município de Pequizeiro (4.591 habitantes, segundo o censo 2000 do IBGE) sofreu, durante sua história, a devastação comum, sendo agravada pela instalação de nove assentamentos rurais na última década do século XX, passando a ostentar agora a incômoda posição de ser um dos municípios da Amazônia Legal brasileira com mais elevados índices de devastação da vegetação nativa, com 84,72% de área já desmatada .

Referência na organização de ações da sociedade civil
O município de Pequizeiro vem se organizando para cumprir seu papel na preservação ambiental e na promoção do tão sonhado desenvolvimento em bases sustentáveis. Seu Fórum de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável - DLIS, com apoio do SEBRAE-TO, tornou-se um dos mais ativos do Estado e vem se esforçando no incentivo e fortalecimento de três atividades: a apicultura, o artesanato e o extrativismo do pequi. Em 2004, chegou a constituir o Fórum pró-Agenda 21 Local de Pequizeiro, que se encontra em fase de fortalecimento de parcerias e captação de recursos para início de atividades. O Fórum pró-Agenda 21 Local de Pequizeiro, foi criado dada a necessidade de se iniciar os estudos e a mobilização da comunidade para o seu posicionamento perante o processo de desenvolvimento, principalmente o observado desmatamento e assoreamento de rios e, em atendimento à chamada global pós Conferência Mundial ECO 92, para que cada comunidade pensasse globalmente e agisse localmente, iniciando reflexões e implantando a Agenda 21 Local.
Para apoiar as discussões da Agenda 21 Local e, observando a importância de um trabalho educativo e de incentivo ao desenvolvimento sustentável, a OSCIP Social Desenvolvimento Humano e Comunitário, sediada em Pequizeiro , implantou a Escola de Agroecologia Vale do Araguaia , que atua na reversão do atual cenário, através da educação de jovens e adultos.

Questão social
Apesar dos esforços do Estado e da sociedade civil organizada, os trabalhos desenvolvidos ainda não foram suficientes para se conseguir implantar a geração de renda na apicultura, artesanato e no ciclo extrativista do pequi.
Anualmente, durante a safra do pequi (setembro a novembro), as famílias sertanejas colhem milhares de sacos de frutos, que, devido à falta de orientações (aspectos técnicos, organização associativa e cozinha comunitária), são vendidos in natura, a preços muito baixos, sem se agregar valor de beneficiamento ao produto.
As famílias sertanejas são 50% da população do município, segundo dados do Censo 2000 do IBGE, e geralmente são constituídas por cinco ou seis pessoas instaladas em terras de posse, arrendamento ou assentamentos implantados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, mantendo-se graças a trabalhos avulsos e extrativistas.

SOCIAL DESENVOLVIMENTO HUMANO E COMUNITÁRIO
Av. Vila Nova, 2005 - Pequizeiro - Tocantins CEP: 77.730-000
Fone: (63) 3225-1254 - E-mail: contato@socialdhc.org.br
“qualificada como OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público,
pelo Ministério da Justiça, de acordo com a Lei 9.790/99”